terça-feira, 12 de maio de 2026

A Construção do Lar # UM DEDINHO DE PROSA AO PÉ DO RADIO.

 A Construção do Lar

Transcrição do Programa Vida e Valores,

por Raul Teixeira,

É muito comum fazermos a distinção entre casa e lar.

 Costumamos chamar de casa a construção de material, de madeira, de alvenaria, de pedra, seja o que for, enquanto que o lar é o que se passa dentro dessa construção. Muitas vezes, nós conseguimos construir a casa, mas não chegamos a formar o lar.

 

Vivemos dentro dessa casa de formas tão estranhas, que não configuram o lar. O lar é o emocional, é o sentimental, é o racional, é o vivencial. É a interação das pessoas. A casa é o prédio.

 

Muitas vezes as pessoas dizem: Estou indo pra casa, mas, aborrecidas, porque estão indo para casa e, possivelmente, ao chegarem em casa, não encontrarão o respaldo do lar.

 

É muito importante, para nós, verificarmos porque é que o lar nos é importante. Exatamente porque ali se reúnem Espíritos, criaturas, indivíduos procedentes dos mais variados recantos da natureza.

 

Advindas, essas criaturas, das experiências as mais várias e, desse modo, ao nos encontrarmos dentro de casa, para formar o lar, teremos obrigatoriamente que trocar essas experiências.

 

A esposa teve uma criação, uma formação, uma instrução ou deixou de tê-la. O marido outra e, agora, são duas pessoas que vão se reunir, na tentativa de forjar outras pessoas e educá-las, os filhos.

 

Então, o lar representa esse cadinho, esse campo de provas, onde as diferenças se atritam, onde nós trocamos aquilo que sabemos com o que o outro sabe.

 

Desse modo, é muitíssimo importante que nós construamos o nosso lar em bases de equilíbrio, de entendimento, o que nem sempre é fácil.

 

Todas as vezes que nos reunimos, pessoas diferentes, seja no que for, isso nos dá uma certa instabilidade, isso gera uma certa instabilidade.

 

Há sempre uma diferençazinha entre o esposo e a esposa, entre os pais e os filhos, entre os irmãos.  Por quê?

 

Porque se a esposa tem um pouco mais de cultura, se o marido tem um pouco menos, isso já deixa um degrau de frustração.

 

Ele vai fazer de tudo para mostrar que ele também sabe, quando seria tão fácil admitir que ele ainda não sabe. Poderá aprender. Se a esposa se torna submissa porque seu marido é doutor, seu marido é que sabe, já desbalanceia o lar.

 

Seria tão normal se ela admitisse que, de fato, ele preparou o que sabe, ele sabe na frente e ela não está proibida de aprender e de saber também. Mas, cada qual respeitando o outro, sem se sentir lesionado, sem se sentir frustrado, sem se sentir diminuído.

 

No lar, nós temos ensejo de trocar tudo isto. Verificamos que aquele homem notável, notável médico na sociedade, ele chega em casa. Ele é carente do que a cozinheira fez, dos carinhos da esposa, dos filhos.

 

Aquele grandioso engenheiro respeitado na sua empresa, na sociedade, mas quando ele chega em casa, ele é aquele gatinho carente de carinho, de atenção de   sua esposa, dos seus filhos.

 

Nós somos movidos à emoção, a sentimento. O ser humano não é meramente racional, nós somos sentimentais.

 

Então, aquele homem que faz pressão na sociedade, o grande político, o grande administrador, mas quando ele chega em casa quem manda em tudo é a sua mulher.

 

Não, nós não vamos. Não, eu não quero. Não, você não vai fazer. Não, você não aceitará. E para que o amor possa vigorar é necessário que nós aprendamos ouvir um ao outro. O lar é assim.

 

É essa grande panela, é esse grande cadinho, dentro de cuja estrutura todos nós vamos aprendendo, uns com os outros, oferecendo o melhor que tenhamos e aprendendo o que os outros têm a nos oferecer.

 

É muitíssimo importante a estrutura do lar. Não tem nada tem a ver com a casa. O lar vem de dentro.

 

*   *   *

 

Uma vez que essa estrutura de lar ela é de dentro da criatura humana, é muito importante que cada elemento do lar se preocupe com o outro e se ocupe também com ele.

 

Cada vez que nós pensamos na família que vive nesse lar que estamos abordando, certamente que cabe aos esposos determinados compromissos entre si, para a mantença do lar.

 

Se eles despautarem desses cuidados, o lar não se sustenta. Para a estrutura do lar é importantíssima a fidelidade, o respeito, a parceria, o acompanhamento, o companheirismo.

 

Se houver filhos na relação, os cuidados com o encaminhamento dos filhos neste mundo atormentado da atualidade.

 

Onde estão nossos filhos? Com quem estão nossos filhos? Fazendo o quê os nossos filhos estarão?

 

Esses cuidados que, há muito, passaram a ser coisas démodé, precisam voltar às preocupações nossas, precisam retornar aos cuidados domésticos.

 

Quando ouvimos as notícias de que tal criança foi seviciada, foi levada, foi conduzida, isso nos remete a refletir sobre a desatenção, muitas vezes, dos pais.

 

Com quem está minha criança? Onde está neste momento?

 

Vivemos dias em que os nossos filhos são mandados para dormir na casa dos amigos, dos colegas. Mas a gente não sabe quem são os pais desses amigos, desses colegas.

 

Não sabemos qual é a formação moral dessa família para onde estamos mandando os nossos filhos. Muitas vezes, acordamos tarde demais.

A estruturação do lar exige bom senso, exige cuidados, exige raciocínio.

 

Não é uma prisão. Todos usufruem liberdade. Mas, na estruturação do lar, a liberdade jamais estará alheada, distanciada das noções de responsabilidade.

 

Todos os que têm liberdade no lar, também hão de ter responsabilidades.

 

E se forem crianças?

 

Nós vamos ensinando às crianças a ter responsabilidade com as coisas delas. Guardar os brinquedos, colocar a roupinha que tirou no cesto, na medida em que elas vão podendo.

 

Como é que a criança aprende a ajudar em casa?

 

Traz para a mamãe, pegue a vassoura.

 

Pegue aquilo. Traga aquilo. Leve aquilo para a mamãe. Ajude a mamãe.

 

Sem nenhuma imposição, para que a criança aprenda a gostar de colaborar.

 

Venha aqui com o papai, segure aqui para o papai poder esticar.

 

Criando vínculos. Quando os nossos filhos começam a ir para a escola, cedinho, será nosso dever, de pai ou de mãe, puxar assunto com eles.

 

Como é que foi hoje o dia? Com quem você  brincou? O que que a professora lhe ensinou? Ou a tia?

 

E a sua merenda, comeu-a? Distribuiu com alguém?

 

Para que nós ensinemos à nossa criança, desde cedo, a conversar conosco sobre o que se passou com ela.

 Depois que ela aprende a conversar conosco, não precisamos perguntar nada.

 

Quando a apanhamos à porta da escola, ela já nos vem contando. Quando a colocamos no carro, ela já começa a falar. E é dessa maneira que nós vamos criando uma parceria doméstica.

 

Os filhos não precisam esconder dos seus pais as coisas que vivenciam. Os pais não devem negar orientação aos filhos, para que eles saibam se nortear. Estar sempre acompanhando.

 Quando a nossa criança começa a crescer e não faz aquelas intrigantes perguntas, sobre sexo, sobre isso ou sobre aquilo, que os pais não imaginem que elas não sabem, que elas são inocentes. Admitam que já aprenderam, de forma equivocada e, porque aprenderam de forma equivocada, têm vergonha de falar para nós.

 

Cabe, então, para que o lar se reerga, todos nos envolvermos com todos.

 Com carinho, com atenção, com sorriso, com seriedade, cada coisa no seu lugar. Mas, que não falte entre nós jamais a ternura, o respeito recíproco, na certeza de que nós somos irmãos em Deus, momentaneamente situados como marido, mulher, pais, filhos, irmãos.

 

Para que o nosso lar seja feliz, para que nós utilizemos esse cadinho, como a grande oficina das almas, não poderá faltar o amor. O amor que gera respeito, o amor que imprime responsabilidade.

 

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 186, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

Programa gravado em janeiro de 2009.
Em 27.7.2020
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segunda-feira, 4 de maio de 2026

VOCÊ PODE FAZER A DIFERENÇA # LINDA HISTORIA


 

 Você pode fazer a diferença

No primeiro dia de aula, ela parou em frente aos seus alunos da quinta série e lhes disse que gostava de todos.

No entanto, ela sabia que isso era quase impossível. Na primeira fila estava um garoto chamado Teddy. A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e, muitas vezes, suas roupas estavam sujas e cheiravam mal.

Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano.

A senhora Thompson fez isso alguns meses depois que as aulas tinham iniciado. Quando leu a de Teddy ficou surpresa. A professora do primeiro ano havia anotado:

Teddy é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é agradável estar perto dele.

A professora do segundo ano escrevera: Teddy é um aluno excelente e muito querido por seus colegas. Tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave. A vida em seu lar deve estar muito difícil.

Da professora do terceiro ano: A morte de sua mãe foi um golpe duro para Teddy. Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo.

A professora do quarto ano escrevera: Teddy anda muito distraído e não mostra interesse pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula.

A senhora Thompson se deu conta do problema. Lembrou dos presentes que os alunos lhe haviam dado, envoltos em papéis coloridos, exceto o de Teddy, que estava enrolado num papel marrom de mercado.

Os outros garotos riram ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade.

Ela disse que o presente era precioso, pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão.

Naquela ocasião, Teddy ficou um pouco mais de tempo na escola. Lembrou-se que ele dissera que ela estava cheirosa como sua mãe.

Nesse dia, a professora Thompson chorou...

Em seguida, mudou sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy.

O menino foi se animando e se tornou o melhor da classe.

Seis anos depois, a professora recebeu uma carta de Teddy contando que havia concluído o ensino médio e que ela tinha sido a sua melhor professora.

Então, um dia, ela recebeu uma carta assinada pelo Doutor Theodore Stoddard, seu antigo aluno Teddy.

Quando os dois se encontraram, no casamento dele, abraçaram-se por longo tempo e Teddy lhe disse ao ouvido: Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença.

Ela, com os olhos banhados em pranto, sussurrou: Você está enganado! Foi você quem me ensinou que eu podia fazer a diferença, afinal eu não sabia ensinar até que o conheci.

*   *   *

Mais do que ensinar a ler, escrever, explicar matemática e outras matérias, é preciso ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma do educando.

Mais do que avaliar provas e dar notas, é importante ensinar com amor, mostrando que sempre é possível fazer a diferença...

Redação do Momento Espírita, com base
em texto de autor desconhecido.
Em 10.1.2020.

Porque Sempre uma Coisinha Vira um Coisão? # UM DEDINHO DE PROSA AO PÉ DO RÁDIO.

 Porque Sempre uma Coisinha Vira um Coisão?

A tendência de uma "coisinha" virar um "coisão" (a famosa "bola de neve") acontece principalmente devido à forma como reagimos emocionalmente e mentalmente aos problemas.
Aqui estão os principais motivos:
  • Amplificação Emocional: Frequentemente, damos peso excessivo a um pequeno imprevisto, reagindo com ansiedade ou frustração. Essa energia emocional transforma um fato neutro em um evento significativo.
  • Falta de Ação Imediata: Quando pequenas coisas (tarefas, conversas, consertos) são adiadas, elas se acumulam e interagem entre si, tornando-se uma carga maior e mais complexa para resolver depois.
  • Foco no Problema: Focar apenas na pequena dificuldade impede de ver o contexto maior, fazendo o problema parecer insuperável.
  • Efeito "Bola de Neve" Psicológico: Um pequeno erro gera estresse, que leva a outro erro, criando uma sequência de eventos negativos que crescem rapidamente. [1, 2, 3]
Para evitar, a dica costuma ser resolver o pequeno problema enquanto ele ainda é pequeno, evitando que ele se torne algo difícil de carregar

quinta-feira, 30 de abril de 2026

PAPEL DE TODA MÃE

 
O papel de mãe é multifacetado e evolui com o tempo, indo muito além dos cuidados básicos. Embora envolva nutrição, proteção e afeto, o objetivo principal é preparar os filhos para a independência e a vida adulta. 

Aqui estão os aspectos fundamentais do papel materno baseados em diversas perspectivas:
  • Educar para a Independência: O papel principal é ensinar os filhos a serem autônomos, capazes de realizar tarefas sozinhos e resolver problemas.
  • Cuidado Emocional e Físico: Oferecer segurança, amor incondicional (embora debatido), atenção e suprir necessidades básicas.
  • Formação de Caráter: Moldar, refinar e polir o caráter dos filhos, ensinando valores, responsabilidade e respeito.
  • Acolhimento e Escuta: Agir como porto seguro, exercitando a escuta atenta, a empatia e o diálogo.
  • O "Tornar-se Desnecessária": Preparar o filho para que ele não dependa da mãe para sobreviver ou tomar decisões, capacitando-o a assumir o controle da própria vida.
  • Equilíbrio entre Amor e Limites: Ensinar a responsabilidade juntamente com a liberdade, definindo limites necessários.
O papel de mãe é uma missão intensa, muitas vezes romantizada, mas que na realidade envolve desafios diários, aprendizado contínuo e a necessidade de equilíbrio com a própria vida pessoal. 

PENSANDO NISSO: UM DEDINHO DE PROSA AO PÉ DO RADIO

PENSANDO NISSO:

Ser gentil, cumprimentar as pessoas, ceder um assento para um idoso, abrir a porta do carro para uma dama, respeitar as filas, tudo isso nós aprendemos desde que nascemos, e somos educados a seguir essas regras de convivência.

Mas, será que apenas agindo dessa forma, cumprindo esse protocolo social, estamos verdadeiramente sendo gentis? Ou a Gentileza, como virtude que é, exige algo mais do que essa formatação social para ser plasmada?
               

Para responder essa perguntar vamos buscar o verdadeiro significado da palavra em sua origem. A raiz da palavra gentileza pode ser buscada em duas fontes: no latim, ela vem da palavra "Gentilis" que quer dizer “da mesma família ou clã”, e no proto indo-europeu ela vem de "Gens" que significa “dar à luz”. Daí já podemos concluir que não basta apenas a forma para gerar a gentileza, é preciso que exista também algo que brote de dentro do homem para que essa Virtude se manifeste.

 

Refletindo sobre os dois conceitos acima, podemos concluir que a Gentileza, na sua concepção mais profunda e completa, consiste em trazer à luz, manifestar na vida tudo que de bom existe no homem, todo o seu potencial humano e divino. Além de exigir do ser humano uma verdadeira abertura de coração, que possibilite ver o outro e sentir as suas necessidades, desprovidos das lentes dos interesses pessoais e do egoísmo. Pois, só assim, ele poderá sentir em seu coração que todos, homens e mulheres, crianças e idosos, são membros de sua família, e que todos os seres humanos juntos formam um único corpo, a Unidade.




Assim, surge uma  relação muito íntima da Gentileza com o Amor, aliás, o Amor está por trás de todas as Virtudes que precisamos desenvolver, pois só conseguimos acessar as pessoas à luz desse sentimento. Conseguir perceber o que o outro necessita, o que o outro está sentindo, como podemos ajudá-lo, qual seria o bem para ele, só é possível quando limpamos o nosso coração. Tendemos a olhar para coisas projetando sempre os nossos interesses, nossas expectativas e nossos desejos, se determinada pessoa ou coisa não se encontra nesse seleto círculo, elas simplesmente somem da nossa visão porque não conseguimos ver o outro em si, apenas a utilidade que ele tem para nós no momento. Um exemplo claro disso podemos ver quando, por exemplo, uma mulher se torna mãe, ou quando estamos para comprar um carro novo, ou até mesmo quando estamos com alguém doente em nossa família. Antes desses interesses surgirem, essas pessoas passavam pela vida sem ver nenhuma mulher grávida nos locais em que estavam e sem ter sensibilidade para as suas dificuldades, sem observar a quantidade de carros na rua do modelo que se pretende comprar e, até mesmo, sem se sensibilizar com as pessoas que se encontram doentes, internadas em hospitais e lutando para sobreviver. E por que isso acontece? Simplesmente porque a visão do homem tende a se limitar unicamente ao seu círculo de interesses, reflexo do egoísmo exacerbado que vivemos hoje, que está por trás de todas as coisas que nos impedem de crescer.




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A Construção do Lar # UM DEDINHO DE PROSA AO PÉ DO RADIO.

  A Constru ção do Lar Transcrição do Programa Vida e Valores, por Raul Teixeira, É muito comum fazermos a distinção entre casa e lar.   Cos...