quarta-feira, 13 de maio de 2026

A Sabedoria Vem Com O Tempo

 


A Sabedoria Vem Com O Tempo


Outro dia ouvi de uma idosa, a seguinte frase: ... “Se eu tivesse dinheiro, meus filhos me respeitariam mais. Virei uma marionete nas mãos deles”... O que se tem feito com os idosos? Dinheiro se perde da noite para o dia, por meio de roubos ou falências. Porém, há algo que ninguém jamais poderá tirar de ninguém: o caráter, a dignidade, a história.


A vida é um imenso ciclo de autotransformação. Quando criança, tudo é simbólico. Na adolescência tudo é problemático ou romântico. Na fase adulta encontra-se o amadurecimento, esquece-se a magia da infância e o romantismo da juventude. É na velhice que se adquire uma ampla capacidade de união, um poder de fusão das emoções e de todas as experiências e conhecimentos armazenados por toda a vida. A visão se amplia. Os olhos podem estar cansados, mas a mente enxerga longe. Esquecem-se palavras, mas não as idéias.
O sentido da vida fica mais nítido e a consciência de que não se é imortal, fica cada vez mais presente.
 O inconsciente acompanha atento todo esse processo. 
Embora as forças físicas falhem, a vida pode ainda ser muito prazerosa.
 O idoso lúcido, possui um poder de síntese, uma sabedoria que só os anos podem dar. 
Uma força interior serena que imanta suas ações.


Em geral, os idosos são vistos como importunos e colocados de lado. 
As conversas repetitivas sobre os mesmos assuntos chateiam, quando na verdade, são poderosas fontes de manutenção de sua memória. 

Quando um idoso repetir um assunto, deve-se tentar fazê-lo ir mais longe. Questionar os pontos que não ficaram claros, esmiuçar o tema com novas perguntas. Ele precisa de estímulos, para que seu cérebro continue funcionando. Palavras cruzadas, leituras, TV, crochê, jogo de cartas, ajudam e muito.


 Dar atenção faz com que se sinta valorizado, elevando assim sua auto-estima. Um chá, ou leite com biscoitos é algo precioso.

O respeito a um ancião deve ser ensinado desde a infância. 

Ensinar os filhos a serem atenciosos, educados e pacientes com os idosos, trabalha valores e dignidade.


 Um dia se envelhece e o filho, já adulto, vai tratar os pais da maneira como foi instruído. Os pais de hoje, serão os avós de amanhã. 


Trazer na lembrança uma avó ou um avô que foram companheiros inseparáveis em nossa meninice, nos torna mais ternos com nossos filhos, que um dia nos darão netos, que também terão filhos e assim a história vai continuando. 


O importante é plantar a semente e regá-la.

Deve-se honrar e respeitar a velhice. Só se chega a ela por mérito espiritual. É nesse momento então, que se deve ter orgulho da vitória dos anos de vida conquistados. 

É o tempo de partilhar a sabedoria e de aconselhar. Para isso existem os filhos, netos, amigos mais jovens. Cada pessoa tem seu papel a cumprir. Os idosos têm muito que ensinar e os mais jovens têm muito que aprender.

terça-feira, 12 de maio de 2026

A Construção do Lar # UM DEDINHO DE PROSA AO PÉ DO RADIO.

A Construção do Lar

Transcrição do Programa Vida e Valores,

por Raul Teixeira,

É muito comum fazermos a distinção entre casa e lar.

 Costumamos chamar de casa a construção de material, de madeira, de alvenaria, de pedra, seja o que for, enquanto que o lar é o que se passa dentro dessa construção. Muitas vezes, nós conseguimos construir a casa, mas não chegamos a formar o lar.

 

Vivemos dentro dessa casa de formas tão estranhas, que não configuram o lar. O lar é o emocional, é o sentimental, é o racional, é o vivencial. É a interação das pessoas. A casa é o prédio.

 Muitas vezes as pessoas dizem: Estou indo pra casa, mas, aborrecidas, porque estão indo para casa e, possivelmente, ao chegarem em casa, não encontrarão o respaldo do lar.

 É muito importante, para nós, verificarmos porque é que o lar nos é importante. Exatamente porque ali se reúnem Espíritos, criaturas, indivíduos procedentes dos mais variados recantos da natureza.

 Advindas, essas criaturas, das experiências as mais várias e, desse modo, ao nos encontrarmos dentro de casa, para formar o lar, teremos obrigatoriamente que trocar essas experiências.

 A esposa teve uma criação, uma formação, uma instrução ou deixou de tê-la. O marido outra e, agora, são duas pessoas que vão se reunir, na tentativa de forjar outras pessoas e educá-las, os filhos.

 Então, o lar representa esse cadinho, esse campo de provas, onde as diferenças se atritam, onde nós trocamos aquilo que sabemos com o que o outro sabe.

 Desse modo, é muitíssimo importante que nós construamos o nosso lar em bases de equilíbrio, de entendimento, o que nem sempre é fácil.

 Todas as vezes que nos reunimos, pessoas diferentes, seja no que for, isso nos dá uma certa instabilidade, isso gera uma certa instabilidade.

 Há sempre uma diferençazinha entre o esposo e a esposa, entre os pais e os filhos, entre os irmãos.  Por quê?

 Porque se a esposa tem um pouco mais de cultura, se o marido tem um pouco menos, isso já deixa um degrau de frustração.

 Ele vai fazer de tudo para mostrar que ele também sabe, quando seria tão fácil admitir que ele ainda não sabe. Poderá aprender. Se a esposa se torna submissa porque seu marido é doutor, seu marido é que sabe, já desbalanceia o lar.

 Seria tão normal se ela admitisse que, de fato, ele preparou o que sabe, ele sabe na frente e ela não está proibida de aprender e de saber também. Mas, cada qual respeitando o outro, sem se sentir lesionado, sem se sentir frustrado, sem se sentir diminuído.

 No lar, nós temos ensejo de trocar tudo isto. Verificamos que aquele homem notável, notável médico na sociedade, ele chega em casa. Ele é carente do que a cozinheira fez, dos carinhos da esposa, dos filhos.  Aquele grandioso engenheiro respeitado na sua empresa, na sociedade, mas quando ele chega em casa, ele é aquele gatinho carente de carinho, de atenção de   sua esposa, dos seus filhos.

 Nós somos movidos à emoção, a sentimento. O ser humano não é meramente racional, nós somos sentimentais.

 Então, aquele homem que faz pressão na sociedade, o grande político, o grande administrador, mas quando ele chega em casa quem manda em tudo é a sua mulher.

 Não, nós não vamos. Não, eu não quero. Não, você não vai fazer. Não, você não aceitará. E para que o amor possa vigorar é necessário que nós aprendamos ouvir um ao outro. O lar é assim.

 É essa grande panela, é esse grande cadinho, dentro de cuja estrutura todos nós vamos aprendendo, uns com os outros, oferecendo o melhor que tenhamos e aprendendo o que os outros têm a nos oferecer.

 É muitíssimo importante a estrutura do lar. Não tem nada tem a ver com a casa. O lar vem de dentro. 

*   *   *

 Uma vez que essa estrutura de lar ela é de dentro da criatura humana, é muito importante que cada elemento do lar se preocupe com o outro e se ocupe também com ele.

 Cada vez que nós pensamos na família que vive nesse lar que estamos abordando, certamente que cabe aos esposos determinados compromissos entre si, para a mantença do lar.

 Se eles despautarem desses cuidados, o lar não se sustenta. Para a estrutura do lar é importantíssima a fidelidade, o respeito, a parceria, o acompanhamento, o companheirismo.

 Se houver filhos na relação, os cuidados com o encaminhamento dos filhos neste mundo atormentado da atualidade.

 Onde estão nossos filhos? Com quem estão nossos filhos? Fazendo o quê os nossos filhos estarão?

 Esses cuidados que, há muito, passaram a ser coisas démodé, precisam voltar às preocupações nossas, precisam retornar aos cuidados domésticos.

 Quando ouvimos as notícias de que tal criança foi seviciada, foi levada, foi conduzida, isso nos remete a refletir sobre a desatenção, muitas vezes, dos pais. Com quem está minha criança? Onde está neste momento?

 Vivemos dias em que os nossos filhos são mandados para dormir na casa dos amigos, dos colegas. Mas a gente não sabe quem são os pais desses amigos, desses colegas.

 Não sabemos qual é a formação moral dessa família para onde estamos mandando os nossos filhos. Muitas vezes, acordamos tarde demais.

A estruturação do lar exige bom senso, exige cuidados, exige raciocínio. 

Não é uma prisão. Todos usufruem liberdade. Mas, na estruturação do lar, a liberdade jamais estará alheada, distanciada das noções de responsabilidade. 

Todos os que têm liberdade no lar, também hão de ter responsabilidades.

 E se forem crianças?

 Nós vamos ensinando às crianças a ter responsabilidade com as coisas delas. Guardar os brinquedos, colocar a roupinha que tirou no cesto, na medida em que elas vão podendo.

 Como é que a criança aprende a ajudar em casa?

 Traz para a mamãe, pegue a vassoura.

 Pegue aquilo. Traga aquilo. Leve aquilo para a mamãe. Ajude a mamãe.

 Sem nenhuma imposição, para que a criança aprenda a gostar de colaborar.

 Venha aqui com o papai, segure aqui para o papai poder esticar.

 Criando vínculos. Quando os nossos filhos começam a ir para a escola, cedinho, será nosso dever, de pai ou de mãe, puxar assunto com eles.

 Como é que foi hoje o dia? Com quem você  brincou? O que que a professora lhe ensinou? Ou a tia?

 E a sua merenda, comeu-a? Distribuiu com alguém?

 Para que nós ensinemos à nossa criança, desde cedo, a conversar conosco sobre o que se passou com ela.

 Depois que ela aprende a conversar conosco, não precisamos perguntar nada.

 Quando a apanhamos à porta da escola, ela já nos vem contando. Quando a colocamos no carro, ela já começa a falar. E é dessa maneira que nós vamos criando uma parceria doméstica.

 

Os filhos não precisam esconder dos seus pais as coisas que vivenciam. Os pais não devem negar orientação aos filhos, para que eles saibam se nortear. Estar sempre acompanhando.

 Quando a nossa criança começa a crescer e não faz aquelas intrigantes perguntas, sobre sexo, sobre isso ou sobre aquilo, que os pais não imaginem que elas não sabem, que elas são inocentes. Admitam que já aprenderam, de forma equivocada e, porque aprenderam de forma equivocada, têm vergonha de falar para nós.

 Cabe, então, para que o lar se reerga, todos nos envolvermos com todos.

 Com carinho, com atenção, com sorriso, com seriedade, cada coisa no seu lugar. Mas, que não falte entre nós jamais a ternura, o respeito recíproco, na certeza de que nós somos irmãos em Deus, momentaneamente situados como marido, mulher, pais, filhos, irmãos. Para que o nosso lar seja feliz, para que nós utilizemos esse cadinho, como a grande oficina das almas, não poderá faltar o amor. O amor que gera respeito, o amor que imprime responsabilidade.

 

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 186, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

Programa gravado em janeiro de 2009.
Em 27.7.2020
.

 

INICIO

Momento de Reflexão - Se eu soubesse o que sei agora

  Se eu soubesse o que sei agora Momento de Reflexão - reflexao.com.br MUSICA: ROSAS - ANA CAROLINA. Conta-se que o dono de um pequeno comér...